quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Batalhão 179 - capítulo 2

Batalhão 179

Capítulo 2

Tom’s POV


Nossa, acordei segunda-feira com uma dor de cabeça infernal. Quase não dormi, fiquei me revirando na cama até as três da manhã e quando finalmente dormi, tive pesadelos. Ótimo jeito de começar a minha tortura. Enfim, reclamar não vai adiantar nada agora que a merda está feita, então levantei-me e fui ao meu guarda-roupa, pegar aquele uniforme tradicional do Exército. Em seguida, peguei uma cueca e me dirigi ao banheiro. Afinal, ninguém merece começar o dia fedido, né? Pelo menos eu cause uma boa impressão nas garotas de lá... Isso Tom, sonha mesmo, capaz que quando você chegar lá só vai ter aqueles trubufus marombados que mais parecem homens do que mulher...

Tomei um banho na água quente, uma delícia. Me sequei e me vesti... Sabe até que não ficou assim tão ruim. Tanto a calça quanto a camisa ficaram um pouco justas, realçando meus músculos não tão definidos, mas mesmo assim chamativos. O coturno, apesar de não fazer meu estilo, ficou bem legal também. Só o que estragou foi o meu cabelo. Merda, porque aqueles filhos da mãe do Exército exigem cabelo curto? Meus dreads nem me atrapalhavam, poxa! Eu tô falando que isso vai ser um cú... ai Jesus, será que ainda dá tempo do Senhor me perdoar? Ahhh e tem o cape, desse sim eu gostei.

-Toom, o café já está servido!

-Já estou indo, Sophie, obrigado! – terminei de arrumar meu “cabelo” – que eu carinhosamente apelidei de “cotoco” – e desci rapidamente para comer.

O café se passou rapidamente e logo eu estava no carro de minha mãe seguindo ao quartel – sim, ela fez questão de me levar. Às vezes tenho a plena certeza que minha mãe adora me ver sofrer –. A viagem foi silenciosa até chegarmos ao “inferno”. Mas eu tenho que admitir, pelo menos a frente era linda, o lugar era bem moderno, não aquela coisa do meu avô no tempo de Hitler, tinha um gramado verdinho imenso, com algumas flores aqui ou ali, o prédio era pintado em tons de azul claro, com listras vermelhas e azuis, com duas colunas centrais (bem ao lado da entrada) também pintada dessa maneira. Era bem maneiro até. Gostei, quem sabe as coisas não possam ser tão ruins como parecem?


-Puta que pariu, esse lugar é enorme – Só a frente do Quartel devia ocupar um pouco mais de um quarteirão.

-Pois é, filho. Então, boa sorte aí no Exército e sempre que der, venha nos visitar. Estaremos te esperando nas férias – Jennifer me deu um beijo no rosto seguido de um abraço. Eu retribui o abraço e também dei um beijinho em sua bochecha. Mesmo tendo minhas desavenças com a minha mãe, eu gosto dela. Vai ser estranho sem ela gritando comigo... (Mal sabia eu o que eu ia descobrir mais pra frente).

-Pode deixar, mãe. Sentirei saudades.

-Nós também, amor. Vem, eu te acompanho. – assim que entramos, minha mãe falou com o cara da recepção (que por sinal também era gigante e muito bem organizada, de bom gosto) e ele nos indicou uma sala, na qual o General ia explicar tudo o que precisávamos saber. Agora minha mãe se despediu de fato e foi embora. Respirei fundo e entrei na sala que fora indicada. Esta não era tão grande, mas devia estar ali uns bons 20 caras sentados esperando o tal General aparecer.

Olhei no relógio e vi que ainda era 06h55. Se o tal General for realmente bom e pontual em cinco minutos ele tem que aparecer. Na sala, ouvia-se apenas conversas baixas e eu decidi sentar-me mais ao fundo. Assim que se passaram exatos cinco minutos, a porta foi aberta e todos se silenciaram. Entrou um rapaz alto, até que magro para alguém que é general em um dos melhores exércitos do mundo. Suas roupas justas, ainda que iguais às nossas, exceto pelo distintivo que indicava seu posto, acentuavam suas curvas até que femininas para um oficial, além de usar algumas correntes, tanto no pescoço como na calça e duas luvas pretas (daquelas que não cobrem o dedo inteiro). Seu rosto era jovem, não devia ter mais que 26 anos e o mais surpreendente: ele usava maquiagem. Isso mesmo, maquiagem. Seus olhos estavam bem marcados com a sombra e lápis preto, realçando o castanho chocolate de seus olhos. Sua pele branca estava perfeitamente lisa e sem nenhuma marca e sua boca carnuda – mas não demasiadamente – tinha um leve brilho. E como se não bastasse, ele ainda usa um moicano. Tudo bem que aquele visual lhe caía perfeitamente bem, dando-lhe um ar sedutor e autoritário ao mesmo tempo, mas meu, não sabia que alguém que trabalhava no Exército podia ter um cabelo assim e pô! Se ele tem esse cabelo porque eu tenho que cortar o meu? Talvez porque ele esteja em um dos postos mais altos e você não passe de um mísero soldado que acabou de entrar, né sua besta ¬¬

-Olá, novos soldados. Meu nome é Bill Kaulitz e eu sou o General de Exército, portanto o superior de todos vocês. Hoje o dia será mais uma apresentação do que um dia de atividades, para que vocês conheçam um pouco melhor toda a estrutura do quartel e que possam, posteriormente, se dirigirem aos locais adequados sem qualquer tipo de ajuda. Aqui, como vocês podem imaginar, temos muitas regras a serem seguidas, mas nada impossível. Primeiro: nada de bagunça. Disciplina e obediência em primeiro lugar. Se eu mandar vocês fazerem 300 reflexões, vocês farão, quem me desobedecer, aah vocês não queiram nem pensar em fazer isso, pois as conseqüências serão terríveis. Segundo: vocês terão aula toda manhã das 6h30 às 12h30, com 30 minutos de almoço e depois vocês irão praticar as atividades físicas. Vocês poderão escolher quais atividades irão praticar, dependendo do seguimento que você escolheu. Se for aeronáutica, será atividades referentes a isso, e assim por diante, mas tem que ser no mínimo 5 exercícios por dia. Terceiro: o toque de recolher é sempre às sete horas e como em qualquer coisa feita aqui, não desobedeçam a esse horário. Quarto: os dormitórios são para 3 soldados, então é bom que convivam bem entre si, porque não admitimos brigas ou qualquer coisa nesse sentido. Os nomes de vocês estão nessa lista aqui juntamente com o número do seu Batalhão e número da cabana. Alguma dúvida? – ele perguntou sério, entregando em seguida a tal lista.

-Eu tenho – levantei minha mão e todos me olharam. Alguns curiosos, outros com medo nos olhos. Ah qual é, não acredito que esses babacas estão assim só por causa desse tipo aí.

-Pois não, senhor...?

-Trümper – alguns fizeram cara de espanto ao ouvir meu nome. Isso, pirem com a minha presença, seus ralés – Aqui não são permitidas festas, correto?

-Correto.

-Teremos algum contato com as mulheres daqui? – perguntei novamente.

-Apenas nas atividades escolares. Mas não é permitido namoro aqui.

-Entendi. Já tiveram algum problema com soldados gays? – olhei para ele com uma cara de sarcasmo, já que vestido desse jeito se ele não for gay está quase lá. Bill fulminou-me com o olhar e se aproximou imponente.

-Não, senhor Trümper – falou meu sobrenome na mesma medida de sarcasmo – Nunca tivemos qualquer tipo de problema com homossexuais. Aqui não é permitido qualquer coisa que envolva duas pessoas num relacionamento amoroso, independentemente do sexo. Para todos os postos, se é isso que quer dizer. A pessoa que for pega em flagrante terá sérias punições, então acho melhor não brincarem com fogo, porque aqui vocês vão se queimar – ele sorriu perverso – Agora o 1ª Tenente Kevin Hoffmann irá mostrar-lhes todo o resto do quartel, incluindo áreas de treinamento, restaurante e acomodações. Só uma última coisa. Fiquem espertos que desde o momento em que pisaram nessa sala, estão sujeitos às nossas ordens, então não dêem motivos para punições desnecessárias. É só.

Então entrou um cara loiro baixinho, mas troncudo e forte, que se apresentou como o tal 1ª Tenente. Saímos em fila única, passando em seguida por uma porta de vidro que dava para um gramado gigantesco. Se eu achava a entrada enorme, porra, aqui devia ser umas 5 vezes maior. Nossa primeira parada foi a escola. Em tons pastéis e muito limpa, a escola era grande e em como naqueles filmes americanos, cada aluno tinha o seu armário. O meu era o de número 15, logo em frente ao banheiro feminino. Hehe até que fim algo bom nisso aqui... mas enfim, havia várias salas e cada professor era responsável por uma, havia também uma lanchonete grandona e obviamente, os banheiros.

Até que eu gostei, pensei que fosse pior. Depois foi ao refeitório, também muito grande e ajeitado. Só não entendo pra quê outro se tem a lanchonete da escola, mas enfim. Fomos então ver os locais de treinamento. Cara, essa foi a melhor parte. Tipo, eu já me interessava por armas (santo videogame!) mas ver os soldados aprendendo a manuseá-las foi muito show! Tinha uma parte, que o pessoal estava treinando com tanques de guerra, muito legal. Bom, talvez não seja assim tão ruim... Por último, fomos aos nossos dormitórios. O tal 1ª Tenente passou novamente a lista e eu me dirigi à cabana número 21, mas estranhamente, eu fui sozinho. O Bill disse que seríamos em 3 e até agora ninguém veio para o mesmo lugar que eu. Ah, vai ver eu vou ficar sozinho. Aah tomara!

Bati na porta e um cara moreno, um pouco mais baixo que eu atendeu.

-Hey cara, você deve ser o Tom Trümper, certo?

-Sim e você é...?

-Georg Listing, prazer.

-Prazer, Georg.

-Pode entrar – ele me deu passagem e eu entrei. O quarto era pintado de erva-doce, tinha uma beliche, uma cama de solteiro, um armário grande, uma cômoda e um banheiro. Era bem arrumado e eu gostei desse Georg. – Gustav, vem cá, meu. Não está vendo que temos um novo companheiro?

-Ah, cara, foi mal. Prazer, meu nome é Gustav Schäfer. – um cara loiro e bem “fortinho” desceu da cama e foi me cumprimentar.

-Prazer, eu sou Tom Trümper.
-Bom, você prefere dormir embaixo na beliche ou na de solteiro? – Georg me perguntou.

-Na beliche, pode ser?

-Claro. Ah e você pode guardar seus pertences aí no guarda-roupa. Não é grande suficiente para três pessoas, mas dá para o gasto.

-Ok, obrigado – dito isso, comecei a guardar minhas coisas. Realmente, o espaço não era muito. – Então é só esse banho para nós três?

-Sim. Tipo, pode até parecer que não dá certo, mas dá. Nós dois somos bem higiênicos e espero que você também seja – agora quem respondeu foi Gustav que também era bem simpático.

-Sou sim, acho isso o mínimo. Nossa, acho que dei sorte. Vocês são bem legais.

-Obrigado – os dois responderam juntos e Georg continuou:

-Você também é, Tom. Mas afinal, o que um Trümper está fazendo aqui no Exército? Achei que vocês fossem “homens de negócio”.

-A questão é que eu estava curtindo minha vida, mas meus pais acharam que eu tinha que tomar um rumo e acabar com aquela curtição e eu fui obrigado a vim para cá.

-Nossa que triste, hein.

-Nem me fale. Era festa todo final de semana, tinha uma mulher na minha cama toda noite que eu quisesse, era popular...

-Nossa, isso sim era vida – Gustav me olhou com um misto de admiração e pena.

-Pois é... era, Gustav, era e cá estou eu. Preso nesse lugar denominado exército.

-E o que você achou do General? – perguntou Georg com uma cara de riso.

-Uma tremenda bicha louca para sair daquele armário.

-HAHAHAHAHAHAHAHAHA

-HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

-Qual é a graça?

-HHAHAHA... Tom...HAHAHA ... aquela “tremenda bicha louca para sair daquele armário” é o cara mais terrível daqui.

-Como que aquele palito ambulante pode ser o mais terrível daqui?

-Ele, mesmo não parecendo, sabe torturar como ninguém. Mexa com ele que você é morto. Ele foi o único cara que aos 23 anos chegou a um posto tão alto assim. Eu tenho 21 e ainda sou soldado.

-Pois é, Tom, eu tenho 20 e também sou apenas um soldado. Rolam boatos que o Bill torturou psicologicamente um garoto de tal forma que ele chegou a enlouquecer.

-Credo. Não pode ser verdade, ele parece tão frágil e feminino.

-Aah só parece, meu filho. Se nos metêssemos em uma luta, ele contra nós três, Bill venceria facilmente. Você acha que ele chegou a ser General de Exército como?

-Sei lá, subornando?

-HAHAHA Claro que não. Você conheceu o 1ª Tenente Kevin, não foi?

-Sim, por quê?

-Porque o Kevin nos contou um dia, que um soldado brutamontes se meteu com Bill, na frente de todo o batalhão. Kevin disse que Bill deu uma surra no cara e quebrou 15 ossos do corpo dele.

-Aaah qual é, isso só pode ser mentira. Como aquele viadinho conseguiria fazer isso? Só em sonhos.

-Toom, eu to te falando cara, não se meta com o Bill. Ninguém até hoje foi páreo para ele. A chance de você se fuder é muito alta, man. Ele só parece ser um fracote, não mexa com ele, Tom. Te digo isso como amigo.

-Tá bom, tá bom. Eu só ainda não consegui me convencer disso.

-Olha Tom, o que o Georg diz é puramente verdade, cara. Ninguém aqui é de mentir. Até eu não acreditei quando ouvi pela primeira vez, mas depois que vi... Mudei totalmente meu pensamento.

-Tá certo então. Mas pra mim ele ainda é uma bichinha.

-Só espero que ele nunca te ouça falando isso.

-HAHA e ele ia fazer o quê? Tentar dar pra mim?

-HAHAHA ah não, Tom. Você é muito engraçado, cara, mas é bom tomar cuidado mesmo.
-Tudo bem, tudo bem. Ou, será que eu posso tomar um banho?

-Claro, as toalhas estão no banheiro.

-Tá, valeu. – entrei no banheiro e tomei meu banho calmamente.

Depois ficamos conversando até a hora do “jantar”. Meu, que porra de comida era aquela?? Até a comida do meu cachorro era melhor! Uma comida muito sem tempero, chegando até ser nojenta aquela gororoba.  Que falta me fazia a Sophie! Quando deu sete horas nós voltamos para nossos quartos e ainda ficamos batendo papo por um bom tempo. Por fim fui dormir na cama de baixo da beliche. Era um pouco dura, mas suportável e assim adormeci, pensando na “macheza” do meu general bicha.

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