Capítulo 3
O segundo dia aqui no exército já tinha começado um porre. Primeiro, na período da manhã, nós fomos a escola. Até aí de boa, o foda foi que minha primeira aula foi de FÍSICA, com um cara gordo, careca e muito porco que eu nem prestei atenção no nome, muito menos na aula, parecia até que ele falava grego... Enfim, o resto da minha manhã continuou uma MERDA, só tive aula chata com caras estranhos e monótonos. Não preciso nem dizer que foi uma tortura, com certeza muito maior do que qualquer tortura que o general bicha poderia fazer... HAHA chega até ser engraçado pensar naquele magrelo feminino como um cara terrível, só pode ser história pra boi dormir...
Na hora do almoço, encontrei meus companheiros de dormitório. Georg e Gustav, por serem mais velhos, estavam em outras turmas.
-Fala Tom! – Georg me cumprimentou animado, sendo seguido por Gustav, enquanto nos sentávamos em uma das mesas.
-Fala rapaziada!
-E aí, o que achou da sua manhã, soldado? – perguntou-me Gustav de boca cheia.
-Muito tediosa. Só tive aula chata com professores ainda piores. E a de vocês?
-HAHAHAHA a nossa foi meio chata também. Você já teve aula com a professora de português?
-Não, por quê?
-HAHAHAHA – Gustav desatou a rir e eu fiquei com cara de paisagem. Será que todo mundo nesse lugar é retardado? – Porque ela parece um gorila que acabou de sair de um circo de horrores! HAHAHAHA
-CREDO! – cuspi no meu prato o pedaço mal passado de carne que comia – Sério?
-É, cara. A mulher é muito estranha. Ela chega a ser engraçada ser querer.
-Nossa...
-Mas, Tom, você está com uma cara meia desanimada. O que foi, cara?
-Nada não, Georg...
-Huuum, acho que sei o que é isso, Ge – disse Gustav com um ar de riso.
-E o que é, Gust?
-Acho que ele está sentindo falta do General! HAHAHAHA
-Com certeza! HAHAHAHAHA
-Aff, parem vocês dois. Claro que não. Eu nunca ia sentir falta daquela bichinha. – Gustav e Georg que se matavam de rir, pararam subitamente e arregalaram os olhos.
-Quem é bichinha, senhor Trümper? – uma voz aguda e séria ressoou em todo o refeitório, atraindo toda a atenção para a nossa mesa.
-Desculpe? – me virei e encontrei um par de olhos castanhos cínicos me encarando com certa raiva.
-Quem é a “bichinha”, senhor Trümper? – Bill repetiu, soando realmente ameaçador. Seu tom de voz era frio e dissimulado.
-M-meu primo, senhor. – merda! Por que eu gaguejei? E pior que isso, por que eu menti? Ah não, Tom Trümper dando uma de medroso? Para com isso já, seu idiota. Até parece que tem medo desse poste.
-Bom mesmo, Trümper. Com licença. – o General dirigiu-se a saída do local, caminhando com o peito estufado, literalmente “botando moral”, mas dando também algumas reboladinhas muito sensuais. OPA, PERA AÍ, REBOLADINHA SENSUAL? Tô ficando doido, só pode. É a pressão do exército, isso, pressão.
-HAHAHAHAHA uuiii que medão, hein Trümper! – Georg foi o primeiro a zoar comigo.
-Não era você que o achava só um frangote? HAHAHA E faz um favor, limpa esse filete de saliva que está escorrendo do canto da sua boca. Não precisa babar por ele não viu. HAHAHA
-O quê? – limpei minha boca conforme Gustav pediu. – Cala a boca, Gustav, que eu não babo por cara nenhum!
-Ah não? Então por que ficou secando a bunda dele? HAHAHAHAHA – agora era Georg que tirava uma com minha cara.
-Não! Tá duvidando da minha masculinidade é? Eu só pego loiras e morenas gostosas. Bichinhas não estão inclusas.
-Se você diz, o que acha de irmos escovar os dentes? O sinal já está batendo.
-Vamos logo, vai.
Fomos então ao nosso dormitório, fizemos nossa e higiene e cada um colocou seu respectivo traje militar, aquele verde camuflado.
-Beleza e agora, vamos pra onde? – perguntei meio desanimado. O chamado da minha cama parecia tão tentador.
-Nós vamos para “a arena” – Georg respondeu meio estranho.
-Como assim, “a arena”?
-É o local de treinamento corpo-a-corpo. Os soldados a chamam assim por mais parecer uma arena de gladiadores do que um campo de treinamento.
-Nossa, estou me sentindo como se estivesse indo a um campo de concentração.
-Haha – Gustav riu irônico e me puxou pelo braço – Agora chega de piadinha de humor negro que já estamos ficando atrasados.
-Tá bom, papai, tá bom.
Uns 6 minutos depois chegamos ao local. Vários soldados estavam conversando, mas logo começaram a se alinhar lado a lado e esperar o professor, e nós obviamente fizemos o mesmo.
-Ge, quem vai “dar aula” para gente? – perguntei meio apreensivo. Ser novo aqui é uma bosta.
-Humm – ele pensou um pouco e fez uma careta engraçada – Acho que você logo vai descobrir – e apontou para um jipe que vinha relativamente rápido, com duas pessoas dentro.
Assim que o jipe parou, saiu de lá um negão de uns dois metros de altura e... pera, não estou conseguindo ver quem é. Ah meu, tira essa merda de capacete da cabeça! Eu realmente queria ver quem era a morena gostosa que ia nos dar aula. Até que fim alguém que prestasse nessa porra de lugar! Senti até um sorriso se formar em meu rosto quando vi a morena se virando e mexendo em algo dentro do veículo. Ela não tinha muito peito, mas a bunda... meu, que bunda mais gostosa! Redondinha na medida certa. Já podia até imaginar minhas mãos acariciando aquela região.
Será que ela é o que? Tenente, capitã...? Huum, parece que já vou descobrir, pois a moça vinha em nossa direção, com seus cabelos negros curtos balançando com o vento.
-Boa tarde, soldados. Hoje vocês terão aulas de luta corpo-a-corpo. Basicamente é isso, então a todos, bom treinamento. – o cara que parecia ser africano foi o primeiro a se pronunciar, sendo breve e conciso. Assim que terminou de falar, voltou pro jipe, deixando-nos sozinhos com a morena e sua mochila.
-Então, boa tarde a todos vocês. Nesse “conteúdo” eu lhes ensinarei todo o necessário a se defenderem e a lutarem corpo-a-corpo. Espero, então, que estejam preparados, pois o treinamento aqui comigo não será moleza – uiii, você pode me mostrar esse treinamento que não é moleza na cama comigo, não é gata? Pensei cacos meus botões, sua voz era linda e um tanto familiar... Mas vamos lindeza, tirei esse capacete que já está me irritando!
E como se Deus atendesse minhas preces, a morena retirou o capacete, revelando seu rosto belo e...
-COF COF COF – eu comecei a me engasgar com a própria saliva. PUTA QUE PARIU, ELA NÃO É ELA, ELE É ELE E PIOR...
-Algum problema, senhor Trümper? – era ele, o BILL! AAAAAAAAH EU NÃO ACREDITO QUE PENSEI TUDO ISSO E ERA ELE. ECA!
-COF COF...E-eu COF só me engasguei aqui. – puta merda quase fiquei sem ar. ARGH EU MATO ESSE VIADO! Não acredito que achei ele gostoso!!!
-Eu posso saber com o que? – perguntou-me desconfiado.
-Ahn... com a bala que eu chupava – sorri sem graça. Olha o que esse desgraçado fez, agora todo mundo estava olhando pra mim e os filhos da puta do Georg e do Gustav segurando a risada! Vadios!
-Bom, sem mais delongas, vamos começar a aula. Hoje, por ser a primeira aula física de alguns soldados, vamos começar do básico. Gostaria de alguém para ajudar-me com a demonstração dos exercícios. Que tal você, senhor Trümper? – sorri sarcástico. Então aquele poste afeminado quer me mostrar como se luta? HAHA Essa eu pago pra ver.
-Claro, senhor – me aproximei e parei na sua frente.
-Bom, vamos começar com o básico mesmo. Primeiro, uma coisa que todos vocês tem que ter claro na cabeça, isso aqui não é aula de artes marciais, então quanto menos contato que vocês tiverem com o oponente melhor, afinal, somos militares e não lutadores profissionais. Então, vamos ao primeiro ponto importante: a defesa. – ele falava e falava e eu não conseguia parar de olhar debochado para ele. Ainda não entra na minha cabeça como esse sujeito é General.
-Então... o que eu faço? – perguntei já impaciente, aquela enrolação toda já estava me enchendo.
-Espere mais um pouco, senhor Impaciência. Como eu estava dizendo, a defesa é muito importante. Primeiro, faça a chamada “base”. Abra suas pernas no rumo de seu quadril, deixando uma a frente e as semi flexionando, assim, se alguém tentar te dar um rasteira, você não cairá. Agora, a demonstração. Vamos, Trümper, faça o que lhe ensinei.
Abri minhas pernas e as flexionei, do jeitinho que eu sempre fazia quando brigava e sempre dava certo. Não vou mudar agora só porque esse frangote disse. Bill, então, veio em minha direção, dando-me uma rasteira incrivelmente rápida, tanto que quase nem vi ele se movimentar, apenas senti o baque de minhas costas no chão.
-Estão vendo o que acontece quando não fazem a base direito? – disse ele com um sorriso debochado de vitória no rosto – Vocês caem. E é nessa hora que o seu oponente te mata.
Olhei para aqueles dois paspalhos e os vi segurando o riso novamente. Ah eu ainda mato esses idiotas. Levantei-me rapidamente, evitando assim mais risinhos toscos.
-Faça como eu mandei, Trümper. – desta vez fiz exatamente como o capitão bicha falou e quando ele veio pra cima de mim novamente eu não caí. – Viram a diferença? – todos responderam um uníssono “Sim, senhor” – Agora, a segunda coisa importante: mantenha sempre os punhos fechados um pouco abaixo da altura dos olhos, mas nunca muito perto nem muito longe do rosto.
-Mas por quê?
-Feche os punhos e os aproxime do seu rosto que eu irei lhe mostrar. – fiz conforme ele havia mandado e novamente, com uma velocidade impressionante, Bill bateu em meus punhos, fazendo com que estes se chocassem com meu rosto, fazendo-me sentir dor, devido a força aplicada no movimento.
-AI!
-Viram? Não se colocam os punhos perto do rosto por isso.
-MAS SE VOCÊ SABIA DISSO POR QUE ME FEZ COLOCÁ-LOS ASSIM, CACETE?
-CALA A BOCA, TRÜMPER. NUNCA RESPONDA SEU SUPERIOR.
-MAS...
-NADA DE MAIS, 100 FLEXÕES!
-O QUÊ? EU NÃO VOU...
-DUZENTAS, AGORA! – Bill deu-me outra rasteira e eu caí no chão com tudo – ANDA, COMEÇA LOGO SEU MERDA! ESTÁ ESPERANDO O QUÊ? EU AUMENTAR A QUANTIDADE?
Achei melhor ficar calado e comecei a fazer as flexões. Enquanto isso, todos treinavam os movimentos que a bichinha passara e de longe pude ouvir os risinhos abafados dos meus queridos colegas de quarto. É como se diz o ditado, pimenta nos olhos dos outros é refresco. E Georg e Gustav seguiam a risca esse conceito.
Quando cheguei na 102º reflexão, meus braços começaram a doer e meu corpo a fraquejar.
-VAMOS, TRÜMPER, TÁ ACHANDO QUE AQUI É O QUE? ACAMPAMENTO DE FÉRIAS? BOTA ESSES BRAÇOS PRA TRABALHAR! SE NÃO CHEGAR A DUZENTOS EU AUMENTO PRA TREZENTOS! VAMOS, VAMOS QUE EU NÃO TENHO O DIA TODO, SEU MERDA!
-Sim, senhor – MERDA, ODEIO ser submisso. Ainda mais para um idiota desses. Quem ele pensar que é pra falar comigo assim? Seu superior, sua besta... ah é. Saco. Depois de muito custo, terminei as reflexões. Eu mal me levantei e aquela bicha já meio falar no meu ouvido.
-Agora 20 polichinelos. – falou calmamente.
-O QUÊ? NÃO VOU FAZER ISSO!
-JÁ TE FALEI PARA NÃO ME RESPONDER! 50 POLICHENELOS, AGORA!
MERDA, MERDA, MERDA! EU E MINHA BOCA GRANDE!! ARGH! Quase morrendo, fiz aqueles malditos polichinelos. Assim que terminei, tive que fazer dupla com o Georg pra treinar minha defesa.
E como se ainda não bastasse toda a humilhação que passei em uma tarde, ainda fui mais humilhado pelo Gezão, que já tinha mais prática nesses combates, mas eu também tava quase morto de cansaço, não valeu! Fiquei indignado com isso. E toda, mas TODA vez que eu falhava ou errava algo, Bill fazia questão de me corrigir na frente de todos.
Realmente, um péssimo jeito de começar o primeiro dia nesse inferno...
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