quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Momento tirinhas



Nota

Ah, eu só queria deixar claro uma coisa: gente, quem tiver pedidos, sugestões, etc, mandem nos comentários! Às vezes você tem um casal que gosta mais e quer ver mais coisas e tal, ou quer mais posts com mangás, sei lá! É porque isso realmente facilita porque tem taaaaaaaantos animes/mangás e taaaaaaaantos casais que fica difícil lembrar de todos e eu também ficaria feliz de ver como está a aceitação do blog e tal.

E, obviamente, peço isso para que esse cantinho na internet fique sempre melhor e que agrade sempre e cada vez mais fujoshis, porque eu estou sempre tentando melhorar e ter opiniões de quem vê é sempre bom (desde que não façam comentários preconceituosos ou críticas destrutivas) xD E eu estarei postando minhas fics aqui também e pretendo postar algumas que eu gostar muito - com a autorização de seu respectivo autor, claro - , então espero que curtam xD

Era só isso..

Küsse

Paladino Negro

Doujinshi Lavi x Allen - D.Gray-Man

Hoje eu decidi postar essa doujinshi super cute! Amo muito esse casal, acho que eles combinam muito. E, sim, eu não gosto de Allen x Kanda e nem Kanda x Lavi. Por quê? Simplesmente porque eles não combinam. Vejo que entre o Kanda e o Lavi há apenas amizade, já com o Allen, mesmo que os dois briguem sempre, não consigo ver nenhuma demonstração de sentimento amoroso no fundo, acho que é só provocação mesmo...
Agora, o Lavi e o Allen tem tantos momentos yaoi lindos na série, dá pra perceber como eles são muito mais próximos e até se abraçam *-* E lembrando que quem leu o mangá, vê claramente o shounen-ai EXPLÍCITO da autora do Kanda com o Alma! É 100% de amor entre eles! Um dia eu ainda posto o capítulo super yaoístico deles... Enfim, eis a doujinshi:


Espero que tenham gostado xD

Küsse

Recomendação de anime do dia

Anime Maiden Rose

Sinopse: Dois soldados de países em guerra estão unidos por um juramento entre mestre e servo. Taki Reizen é um jovem comandante de beleza sublime, carregando o destino de sua nação. Klaus Von Wolfstadt, conhecido como "Cão Raivoso" por causa de seu temperamento rude, jurou lealdade a Taki como seu cavaleiro. Apesar disso, todos ao seu redor são frios e reprovadores, cheios de desconfianças. Que fim terá o amor que tornou-se cruel devido a violência da guerra?




Espero que gostem! Eu gostei, apesar de ter ficado com um pouco de dó na primeira ova... Mas os extras são muito fofos! *-*

Küsse

domingo, 23 de setembro de 2012

Hard yaoi


Enjoy ;D


Mangá Goshijinsama To Wanko

Mangá Goshijinsama To Wanko: capítulo 1

Enjoy :D















Recomendação de anime do dia

Recomendação do dia: anime Kirepapa

Você gosta de um pai bonito? Se a resposta é sim, apresento a vocês fãs de Yaoi, Kirepapa, um dos animes Yaoi mais bem animados que já vi. Kirepapa conta a história de Takatsukasa Chisato que é  um escritor divorciado que cuida do único filho Riju. Chisato é extremamente protetor com o filho, achando que os amigos deste são “monstros devoradores” que ele precisa eliminar. Uma dessas feras é Sakaki Shunsuke, melhor amigo de Riju que aguenta firme e forte todas as tentativas de  Chisato-san de afastá-lo do amigo. Mas será que há mesmo algo entre Shunsuke e Riju? (by: Hana - Yaori Animes)






Espero que tenham gostado =D Eu adoro o traço desse anime sem contar que é bem cute *-* Ah e as legendas estão em inglês. Eu até tenho em português, só que eu não estou conseguindo postar de jeito nenhum D: Desculpe, mas tomara que todos entendam ahsuhashus.

küsse

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Fanservice


Boa noite!

Hoje eu decidi postar esse fanservice supersexy dos meninos (ou nem tão meninos assim) do The GazettE. Eu adoro o vídeo e acho muito sexy e ainda com insinuações yaoi *adoro*, sem contar que eu acho os integrantes estilosos e eu ainda curto muito o som deles! Eles tocam uma mistura de hard rock, metal alternativo, nu metal e também é considerado j-rock.
Se alguém se interessar, eu recomendo! Músicas como 'The Invisible Wall', 'Shiver' são ótimas! No momento só me lembro dessas, mas vale a pena pesquisar xD

Küsse

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Sessão de fotos: Natsu x Gray - Fairy Tail



Durarara - Doujinshi


Shizuo e Iazaya são muito sexys *nosebleeding* Só lembrando que o Shizuo é o loiro e o Izaya é o moreno e eles são personagens de Durarara, um anime muito bom que eu também recomendo! Bem, espero que tenham gostado da doujinshi ;D

Küsse

Yaoi no futebol


Eu simplesmente tinha que postar um vídeo desses! Começou quando uma amiga me mostrou um outro vídeo envolvendo dois jogadores que também tiveram um momento muito yaoi, então eu resolvi ver se achava mais coisas assim e... aqui está! Quem disse que jogador de futebol é tudo "macho"? Eu tenho minhas dúvidas kkk. Algumas pessoas dizem que é montagem, e em algumas cenas até concordo, mas outras...

Küsse

Yaoi is here for your entertainment


Curti muito esse vídeo, justamente por ter essa pegada sexy e, obviamente, ter muito yaoi *-* Só para lembrar que esses são os personagens de Hetalia ;D

küsse

Sexy demon


Fujoshis, apresento-lhes: Sebastian - um mordomo e tanto - de Kuroshitsuji. Acho que ele por si só já diz tudo. É tão sexy que faz parecer os garotos da minha escola baratas HASUHASHUAS Alguém discorda? kkk
Ah, para quem não viu ou leu o amine/mangá, eu recomendo completamente! A história é muito boa, os personagens são envolventes, tem ação e, é claro, muitas cenas "yaoísticas" e que te fazem ter vários nosebleeding!
Um pequeno resumo: Ciel Phantomhive perdeu seus pais num incêndio de sua mansão, então ele decidi contratar um "mordomo e tanto" (lê-se: demônio muito sexy) para ajudá-lo com sua vingança.
E aí, alguém já viu? Se sim, curtem? Pretendo postar mais coisinhas dele, prometo que vão gostar!

Küsse

Mini sessão de fotos: Alemanha e Itália - Hetalia

Boa noite xD

Hoje eu resolvi postar umas imagens que eu adoro do Alemanha e do Itália. Eles são tão fofos! Ainda mais juntos... Eles são, de fato, um dos meus casais favoritos desse anime!


Eles são lindos, né? *-* Afinal, não tem como não gostar do Alemanha, tampouco do Itália... Alguém aí tem um alemão para doar? UAHSUHASUAS

Küsse

Paladino Negro

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Batalhão 179 - capítulo 4

Batalhão 179

Capítulo 4



Tom’s POV

Os meses que se seguiram foram os mais trágicos de toda minha vida. Se eu achava que aqui seria um inferno, agora eu tinha a plena certeza disso. As aulas são um porre, os professores são piores ainda. Você não pode dar um “piu” que quase apanha na frente da sala inteira. E rir então? Só falta ter que ajoelhar no milho e no sol. Já as aulas práticas são melhores e piores ao mesmo tempo. Melhores porque aprender a mexer com armas e tanques de guerra é muito massa, meu! Essa parte estou adorando, é meio tenso, já que pegam muito no seu pé, mas está sendo realmente ótimo. Agora, pior porque nós somos torturados, literalmente.

Temos que fazer exercícios físicos no sol forte o dia inteiro, temos que nadar de manhã, bem cedo e naquele frio, numa piscina olímpica com água gelada e ainda é bem comum levar “punições” de 600 flexões e coisas do tipo. A única vantagem mesmo é que eu to saradão, nossa. Nem em 4 anos de academia eu acho q ficaria tão gostoso assim, sem querer me gabar. Ah e lembrando que se você respondeu a um superior seu com uma resposta diferente de “Sim, senhor” e “Não, senhor”, você terá sérios problemas. Eu e minha boca grande que o diga, já estou até fazendo uma coleção de marcas nas minhas costas.

Mas o mais estranho de tudo isso, é sem dúvida o comportamento de Bill. Nos dois primeiros meses, nós parecíamos Tom e Jerry. Todo dia eu batia de frente com ele e acabava me fudendo – sendo castigado, lógico – e só parei no dia em que eu levei dele uma surra feia. Mano, foi muito vergonhoso. Bill torceu tanto meus braços que eu achei que ele iria quebrar os dois de uma só vez. E como essa foi uma das piores experiências de toda minha vida, nem vou dar detalhes aqui, porém a questão é que eu mudei muito minha opinião sobre ele depois daquele trágico (pelo menos pra mim) acontecimento.

Realmente, ele não era fraco mesmo e merecia muito ser general, mas como eu nem sou um cara chato, acabou que o apelido de “general bicha” acabou ficando. HAHAHA Gente, mas sério. O cara parece muito ser gay, não é possível. Ainda mais aqui nessa porra dos infernos, que só tem mulher feia! É i-m-p-r-s-s-i-o-n-a-n-t-e. Nem na pior das piores secas o Tom Júnior subiria com uma delas. O estado está mesmo deplorável... e que saudade que sinto da minha vida antiga...

Voltando ao assunto anterior, depois desse período, o comportamento de Bill ficou ainda mais confuso para mim. E o que mais mudou nele foi, sem sombra de dúvidas, o olhar. Havia ali um brilho diferente que eu não conseguia identificar o que era e eu tenho certeza que não era mais aquele olhar sádico ou irônico. Era algo mais profundo que aquilo e quando eu me dava conta do que estava fazendo, me pegava encarando aqueles olhos chocolates. Outro detalhe crucial: eu tenho CERTEZA que ele rebola quando passa por mim. E mais uma vez lá estava eu secando aquele corpo que eu tanto zombava, exercendo sobre mim uma estranha fascinação. Ou eu estou de abstinência ou eu realmente estou doido, MEU, EU NÃO SOU GAY!

Ah MEU DEUS, ERA SÓ O QUE ME FALTAVA. ADMIRAR UMA BICHA! TÔ ENTRANDO EM PARAFUSO! AAAAAAHHH. Calma, Tom, calma. É a pressão e tortura do exército, sim é isso que está me afetando. Sério mesmo gente, isso aqui está sendo barra. É muita pressão física e psicologicamente e agora estou aqui, entrando num choque existencial típico de adolescente me preparando para jogar “Verdade ou Conseqüência” com Gustav e Georg em plena sexta-feira a noite (é, é o fim da picada MESMO ¬¬). Estávamos sentados no chão – entre as camas – formando um pequeno círculo.

-Ok, ponta pergunta, cabo– girei a caneta – isso mesmo a caneta, nem garrafa a gente tinha – e Georg é que me pergunta.

-Beleza, Tom, verdade ou conseqüência?

-Humm... verdade. - um sorriso muito perverso se abriu no rosto de Georg e já eu comecei a me arrepender

-É verdade que você se sente atraído pelo Bill?

-O QUÊ? – Georg sorriu ainda mais – Claro que não!

-Sério, é? Você sabe que quem mente paga a língua!

-Eu estou falando a verdade! – tá bom, não é de tudo verdade. Eu já disse que to em crise de existência, ok? Dá um desconto, poxa. Mas isso deixamos em off.

-Se você diz... – Georg girou e agora eu que perguntaria para ele.

-Poxa, isso é roubalheira! Não vou jogar não, é? – Gustav parecia mesmo indignado, mas logo desfez a careta e começou a rir.

-Relaxa, Gustav, logo é você. Então Gezão, verdade ou conseqüência?

-Verdade.

-Hummm, deixe-me pensar... – cara, eu ando ouvindo uns barulhos meio estranhos à noite, sem contar que esses dois andam meio diferentes também – Você está afim de alguém? Se sim, de quem? – Georg ficou mais vermelho que uma pimenta. HAHA Acertei em cheio.

-Er...bom, sim. Eu... eu...

-Você...? – eu o incentivei a dizer e agora quem estava corado era Gustav.

-Eu sou afim do Gustav. – Georg abaixou a cabeça, envergonhado. – Espero que não seja homofóbico. – emendou rapidamente.

-Ah, Gezão, relaxa. Eu não sou homofóbico. Eu só fico zoando o Bill porque eu realmente gosto de encher o saco, mas respeito a opção de vocês.

-De vocês? – Georg olhou-me num misto de confusão e alívio.

-É, de vocês dois. Acham que eu não ouvi aqueles barulhos nessas últimas noites? HAHA

-Nossa, que vergonha – Gustav estava tão vermelho que chegava a ser engraçado. Georg então estava ainda pior e eu acabei caindo na gargalhada.

-Seguinte, pra mim está tudo de boa, desde que eu tenha minhas noites bem dormidas! HAHAHAHAHA

-Claro, claro – Gezão ainda estava muito constrangido. Mas quem mandou dar uns pegas no companheiro de quarto a noite? HAHAHA acho que às vezes o povo pensa que sou lerdo ¬¬ - Tá, então gira essa caneta.

Girei a caneta e agora era Gustav quem perguntava para o Georg.

-Verdade ou Conseqüência?

-Conseqüência. – Gustav sorriu perverso. Ihh certeza que vai dar merda.

-Vai ter que dançar creu! HAHAHAHAHAHAHA

-CREDOOO, GUSTAV, NÃO QUERO NEM VER – tampei meus olhos, fazendo a maior cena, mas como eu nem sou curioso, dei uma espiadinha por entre os dedos. PRA QUÊ, MEU SENHOR? Foi a cena mais horrível que eu já vi em toda minha vida. Os cabelos de Georg balançavam no mesmo ritmo em que ele fazia os movimentos de “vai e vem” com a maior cara safada enquanto Gustav quase babava. – EU MEREÇO, SENHOR. QUE CENA MAIS HORRÍVEL!

-Quem mandou você me olhar dançar! HAHAHAHA

-Pois é, certeza que se fosse o General você até filmava!

-Claro que não! Vocês estão inventando coisas!

-Ah, qual é, Tom. A gente já te viu secando a bunda dele várias vezes. Sem contar que muitas noites, você chamava o nome dele claramente.

-Sério, Georg? – agora quem estava envergonhado era eu. Como é que aquela bicha invadia até meus sonhos? Sorte a minha não lembrar de nada. Ou... seria azar? Cala a boca, consciência idiota!

-Tô te falando, meu.

-É verdade, daqui a pouco você está gemendo “Bill, vem Bill, vem!” HAHAHAHAHAHAHA

-Ah, cala boca gordinho que você não tem nada que falar de gemer! - Gustav parou de rir na hora.

-Toma, seu besta! HAHAHAHAHAH – e o Georg só ria, aquele debochado. Bom, depois disso, no nosso joguinho não teve nada de mais interessante.

Depois disso, meu final de semana começou bem tedioso. Sábado de manhã, quem quisesse até podia ir ver a família, mas como eu tinha visto meus pais semana passada, nem animei ir, ou seja, o quartel estava vazio. E falando nos meus pais, aqueles dois filhos da mãe estavam mais radiantes do que nunca. Mais uma vez eu repito: pimenta nos olhos dos outros é refresco, então eles estão achando ótimo minha tortura diária. É, muito amorosos eles ¬¬ Enfim, já era hora do almoço e eu estava sozinho, já que Georg e Gustav foram ver suas famílias.

O refeitório estava às moscas. Tinha só um grupinho de dez soldados, eu e... Bill. Nossa, que estranho. Achei que quem ocupava os postos mais altos nem precisava ficar nessa joça e ele ainda está sozinho numa mesa bem no canto. Será que eu vou lá? O coitado está sozinho, não vai ser tão ruim assim. Levantei-me e caminhei em sua direção, segurando minha bandeja.

-Com licença, senhor. Será que eu poderia me sentar aqui? – Bill parecia perdido em pensamentos e levantou a cabeça realmente surpreso com minha presença.

-Claro, senhor Trümper. – coloquei minha bandeja em cima da mesa e sentei-me à sua frente.

-Então... se o senhor me permite perguntar, por que está aqui? Afinal hoje é sábado. – Bill me olhou sério e por um minuto me arrependi de ter aberto a boca.

-É porque eu não tenho quem visitar. Meu pai foi assassinado e minha mãe ficou tão deprimida que se matou também.

-Nossa, eu sinto muito mesmo. Imagino o quanto o senhor deve ter sofrido... – eu realmente me sensibilizei com a história dele. Bill é tão jovem, deve ser por isso que é todo diferente.

-Sim, não foi e não é fácil.

-Bom, então só quero que saiba que se precisar de alguém, de um ombro ou mesmo de um cara chato pra te distrair, conte sempre comigo. – Bill sorriu agradecido e eu sorri de volta. Essa era a primeira vez que tínhamos uma conversa sem qualquer tipo de agressão.

-Muito obrigado, soldado. Mas e você, por que não foi visitar seus pais?

-AH... eu falei com eles semana passada e como não temos uma relação assim, muito... boa, achei melhor ficar aqui. Pelo menos tenho um tempo pra pensar na vida.

-Hum... entendo. – voltamos a comer e ficamos em silêncio por alguns minutos. Bill foi o primeiro a quebrar o silêncio. – Então, Trümper, gostando de fazer parte do Exército alemão?

-Tom.

-O quê?

-Me chama de Tom. Eu sei que o senhor é o general e coisa e tal, mas me dá uma impressão de frieza. Pode me chamar de Tom se quiser. – me embolei todo nas palavras e um sorriso torto apareceu em seus lábios. Merda. Ele deve achar que sou um retardado. Bom, mais ainda... Cala a boca, Tom!

-Certo, Tom. Gostando daqui?

-Ah, até que sim. É pesado, no entanto me ajudou a crescer e a amadurecer bastante. – Bill riu sinceramente dessa vez. De novo, ele me surpreendeu.

-É, eu percebi. Acho que você tinha prazer em desacatar minhas ordens.

-Ah, senhor, era engraçado te ver bravo. Era a única coisa mais “divertida” aqui no exército. – general arqueou uma sobrancelha.

-Sério que você acha isso, Tom?

-Sim, senhor general – merda! Senti minhas bochechas esquentarem. Devo estar vermelho agora. Argh merda. Justo quando eu tinha que passar uma boa impressão eu falo o que não devia! ¬¬

-Hum... olha Tom, pode me chamar de Bill, se você quiser. – ele sorriu. Uau, o verdadeiro general mostrando que é um cara legal? Isso sim é surpresa. – Mas só quando estivermos sozinhos, senão eu posso levar uma bela de uma bronca e ainda deixar outros soldados mal acostumados.

-Ok, então...Bill. Mas por que está me dando essa moral? – agora eu realmente fiquei curioso. Pensei que ele me odiasse.

-Bom... acho que mesmo nós tendo nossas brigas, pude perceber que você é uma boa pessoa, Tom. A primeira pessoa em cinco anos que me oferece um ombro, sendo sincera em todos os seus sentimentos. Por isso eu te agradeço, foi um gesto muito importante para mim e tenha certeza que não irei me esquecer disso.

-Nossa, sério? Eu sei que a gente brigava e tal, mas ninguém merece sofrer sozinho, ainda mais uma dor dessas. Fico muito feliz em saber que posso te ajudar de alguma forma e que você aprecie esse gesto. Esse era um Bill que eu não esperava conhecer. – agora ele riu abertamente.

-Então você imaginava como eu era, é? HAHA E como eu era para você, assim em personalidade?

-Ah, eu pensava que você era um cara frio, arrogante, idiota e que era reprimido. – a cada palavra eu corava ainda mais. Nossa, eu posso apanhar se ele se estressar com isso – Mas agora percebo que você é um cara bacana, só com um passado triste e sangrento que deixou marcas.

-Nossa, não imaginei que pensavam tão mal de mim assim, mas bom saber que você mudou o seu conceito, Tom, porque eu também mudei o meu.

-Sobre quem?

-Sobre você, oras.

-Ah é? E o senhor me via como?

-Como um moleque mimado, irritante, chato e sem respeito.

-Então... eu era assim mesmo, mas mudei. – seus olhos pareceram brilhar e mais uma vez ele sorriu, deixando a mostra todos os seus dentinhos brancos. Acabei sorrindo também.

-Aham. Nossa, está chegando meu aniversário.

-É? O meu também. Que dia você faz?

-Faço dia primeiro de setembro. Semana que vem.

-Puxa, eu também! Mas eu faço 19 anos e você faz 24 não é?

-Sim... vai sair para comemorar?

-Não sei... você vai?

-Não. – suas feições tornaram-se tristes e eu fiquei com muita pena dele. Eu reclamo dos meus pais, porém viver sem eles deve ser um milhão de vezes pior. Bill olhou para o relógio e fez uma careta engraçada – Bom, foi legal conversar com você, Tom. Agora tenho que ir fazer alguns relatórios.

-Ok. Então... amigos? – sorri e estendi minha mão.

-Amigos. – Bill sorriu de volta e apertou-a, levantando-se logo em seguida.

-Ah! Bill? – ele já estava um pouco longe e se virou.

-Sim?

-Bom trabalho. – ele sorriu.

-Obrigado.

Assim que se retirou, terminei de almoçar e voltei para o meu quarto. Peguei meu celular e disquei um número já bem conhecido.

-Alô? Sophie? É o Tom, tá jóia? Também, obrigado. Então, Sô, preciso de um favor seu. Será que você podia pedir pra o motorista dos meus pais me trazer meu carro? Uhum. Obrigado.

Quando peguei meu carro, uma ideia muito louca surgiu na minha cabeça. Hoje eu compraria um presente para Bill. O bom de ser rico é justamente não ter que se preocupar com o valor dos presentes. Acabei decidindo ia ao shopping, lá sempre tem coisa interessante. Andei, andei e acabei comprando uma sombra preta da MAC, uma jaqueta de couro e uma munhequeira também de couro com umas tachas. Depois, comprei uma caixa grande de presente, dobrei e coloquei primeiro a jaqueta, depois a munhequeira e por fim a sombra. Espero que Bill goste.

A semana passou rápido e sábado chegou logo. Era apenas oito horas da manhã e eu já estava na porta de seu quarto – que por ter um alto posto, vivia sozinho. Putaquepariu, to nervoso! E se ele não quiser me ver? Ah, calma Tom, calma. Abaixei-me e coloquei a caixa no chão, não queria que ele a visse de primeira, então bati na porta e esperei nervoso. Rá, olha que irônico: o número do dormitório dele é 69. Depois eu que sou chato em zoá-lo de gay...

-Tom! Oi! – Bill me recebeu sorridente – Entra.

-Oi, Bill. Com licença. Uau, como aqui é grande – o quarto era grande, todo pintado de verde erva-doce. Havia uma cama de casal king Box no centro, em baixo de uma janela e ao lado de uma cômoda. O guarda-roupa era só um pouco maior que o nosso, havia também um banheiro, tudo muito organizado, com alguns pôsteres nas paredes.

-Pois é, algumas vantagens de ser general. Vem, senta aqui na cama. – fiz o que ele me pediu – Então... – ele SURPREENDENTEMENTE me ABRAÇOU e sussurrou no meu ouvido: - Feliz aniversário. – retribuí o abraço, sentindo como seu corpo, apesar de magro, era definido e um tanto musculoso.

-Feliz aniversário também, Bill. Ah! Peraí que eu tenho uma coisa para você – me soltei de seus braços e me levantei, indo em direção à porta, pegando logo em seguida a caixinha.

-Ah Tom, não precisava! – Bill parecia realmente emocionado.

-Claro que precisava. Aqui, para você. Espero que goste. – entrei a caixa em seus braços. Ele sentou-se novamente e quando abriu meu presente, sua boca fez um ‘o’ certinho, logo sendo tampada por uma de suas mãos.

-Nossa, Tom! Muito obrigado mesmo! Você deve ter gastado uma fortuna com isso! E três presentes? Meu Deus, eu nem estou acreditando. – ele primeiro tirou a sombra, depois a munhequeira e por fim a jaqueta. Quando ele a olhou mais de perto, seus olhos chegaram a marejar.

-Por nada. Achei que você merecia, afinal, é seu aniversário.

-MUITO OBRIGADO MESMO, Tom!

-Por nada. Pensei que você fosse gostar.

-Gostar? Eu AMEI!

-Ah. Que bom. – sorri. Ele se levantou e me abraçou forte e novamente eu retribuí. Mesmo sendo um pouquinho mais alto que eu, senti suas lágrimas molharem meu ombro. – Hei, hei, não chora.

-É...humf...que há muito tempo... humf.... eu não ganho nada... snif... ainda mais um presente desses. Obrigado mesmo, Tom. De coração. – eu sorri e limpei uma lágrima que teimava em sair de seu olho.

-Por nada, Bill.

-Mas eu também tenho uma coisa para você.

-Jura? – uau, ele comprou algo para mim. Realmente não esperava por isso.

-Aham. – Bill foi até seu guarda-roupa e remexeu em algo lá dentro. – Aqui, espero que goste. – ele entregou-me uma caixinha. Quando abri, retirei de lá um belo medalhão de ouro (ou pelo menos era o que parecia), todo trabalhado em arabescos. Não fazia exatamente meu estilo, mas já valeu pela consideração. – Nossa, muito lindo, Bill. Obrigado mesmo. Adorei.

-Por nada. Mas você viu que ele abre?

-Não. Abre?

-Sim, abre. Olhe só – ele abriu o medalhão e nele tinha um espaço vazio. – Aqui é para você por a foto de alguém especial.

-Nossa, obrigado mesmo. – ele sorriu meigo.

-Por nada.

-Mas... me diz, você vai mesmo ficar aqui hoje?

-Vou sim, por quê?

-Bom... Eu estava pensando se você não queria jantar comigo hoje. Sabe, pra comemorar. – Bill corou levemente.

-Ah, claro. Você passa aqui às oito então?

-Ok, às oito.

-E nós vamos aonde?

-Surpresa. É um restaurante que eu gosto muito.

-Então tá. – ele sorriu torto – Até as oito?

-Até as oito – sorri de volta e saí de lá. Mal posso esperar pelo meu encontro...

Batalhão 179 - capítulo 3

Batalhão 179

Capítulo 3

O segundo dia aqui no exército já tinha começado um porre. Primeiro, na período da manhã, nós fomos a escola. Até aí de boa, o foda foi que minha primeira aula foi de FÍSICA, com um cara gordo, careca e muito porco que eu nem prestei atenção no nome, muito menos na aula, parecia até que ele falava grego... Enfim, o resto da minha manhã continuou uma MERDA, só tive aula chata com caras estranhos e monótonos. Não preciso nem dizer que foi uma tortura, com certeza muito maior do que qualquer tortura que o general bicha poderia fazer... HAHA chega até ser engraçado pensar naquele magrelo feminino como um cara terrível, só pode ser história pra boi dormir...

Na hora do almoço, encontrei meus companheiros de dormitório. Georg e Gustav, por serem mais velhos, estavam em outras turmas.

-Fala Tom! – Georg me cumprimentou animado, sendo seguido por Gustav, enquanto nos sentávamos em uma das mesas.

-Fala rapaziada!

-E aí, o que achou da sua manhã, soldado? – perguntou-me Gustav de boca cheia.

-Muito tediosa. Só tive aula chata com professores ainda piores. E a de vocês?

-HAHAHAHA a nossa foi meio chata também. Você já teve aula com a professora de português?

-Não, por quê?

-HAHAHAHA – Gustav desatou a rir e eu fiquei com cara de paisagem. Será que todo mundo nesse lugar é retardado? – Porque ela parece um gorila que acabou de sair de um circo de horrores! HAHAHAHA

-CREDO! – cuspi no meu prato o pedaço mal passado de carne que comia – Sério?

-É, cara. A mulher é muito estranha. Ela chega a ser engraçada ser querer.

-Nossa...

-Mas, Tom, você está com uma cara meia desanimada. O que foi, cara?

-Nada não, Georg...

-Huuum, acho que sei o que é isso, Ge – disse Gustav com um ar de riso.

-E o que é, Gust?

-Acho que ele está sentindo falta do General! HAHAHAHA

-Com certeza! HAHAHAHAHA

-Aff, parem vocês dois. Claro que não. Eu nunca ia sentir falta daquela bichinha. – Gustav e Georg que se matavam de rir, pararam subitamente e arregalaram os olhos.

-Quem é bichinha, senhor Trümper? – uma voz aguda e séria ressoou em todo o refeitório, atraindo toda a atenção para a nossa mesa.

-Desculpe? – me virei e encontrei um par de olhos castanhos cínicos me encarando com certa raiva.

-Quem é a “bichinha”, senhor Trümper? – Bill repetiu, soando realmente ameaçador. Seu tom de voz era frio e dissimulado.

-M-meu primo, senhor. – merda! Por que eu gaguejei? E pior que isso, por que eu menti? Ah não, Tom Trümper dando uma de medroso? Para com isso já, seu idiota. Até parece que tem medo desse poste.

-Bom mesmo, Trümper. Com licença. – o General dirigiu-se a saída do local, caminhando com o peito estufado, literalmente “botando moral”, mas dando também algumas reboladinhas muito sensuais. OPA, PERA AÍ, REBOLADINHA SENSUAL? Tô ficando doido, só pode. É a pressão do exército, isso, pressão.

-HAHAHAHAHA uuiii que medão, hein Trümper! – Georg foi o primeiro a zoar comigo.

-Não era você que o achava só um frangote? HAHAHA E faz um favor, limpa esse filete de saliva que está escorrendo do canto da sua boca. Não precisa babar por ele não viu. HAHAHA

-O quê? – limpei minha boca conforme Gustav pediu. – Cala a boca, Gustav, que eu não babo por cara nenhum!

-Ah não? Então por que ficou secando a bunda dele? HAHAHAHAHA – agora era Georg que tirava uma com minha cara.

-Não! Tá duvidando da minha masculinidade é? Eu só pego loiras e morenas gostosas. Bichinhas não estão inclusas.

-Se você diz, o que acha de irmos escovar os dentes? O sinal já está batendo.

-Vamos logo, vai.

Fomos então ao nosso dormitório, fizemos nossa e higiene e cada um colocou seu respectivo traje militar, aquele verde camuflado.

-Beleza e agora, vamos pra onde? – perguntei meio desanimado. O chamado da minha cama parecia tão tentador.

-Nós vamos para “a arena” – Georg respondeu meio estranho.

-Como assim, “a arena”?

-É o local de treinamento corpo-a-corpo. Os soldados a chamam assim por mais parecer uma arena de gladiadores do que um campo de treinamento.

-Nossa, estou me sentindo como se estivesse indo a um campo de concentração.

-Haha – Gustav riu irônico e me puxou pelo braço – Agora chega de piadinha de humor negro que já estamos ficando atrasados.

-Tá bom, papai, tá bom.

Uns 6 minutos depois chegamos ao local. Vários soldados estavam conversando, mas logo começaram a se alinhar lado a lado e esperar o professor, e nós obviamente fizemos o mesmo.

-Ge, quem vai “dar aula” para gente? – perguntei meio apreensivo. Ser novo aqui é uma bosta.

-Humm – ele pensou um pouco e fez uma careta engraçada – Acho que você logo vai descobrir – e apontou para um jipe que vinha relativamente rápido, com duas pessoas dentro.

Assim que o jipe parou, saiu de lá um negão de uns dois metros de altura e... pera, não estou conseguindo ver quem é. Ah meu, tira essa merda de capacete da cabeça! Eu realmente queria ver quem era a morena gostosa que ia nos dar aula. Até que fim alguém que prestasse nessa porra de lugar! Senti até um sorriso se formar em meu rosto quando vi a morena se virando e mexendo em algo dentro do veículo. Ela não tinha muito peito, mas a bunda... meu, que bunda mais gostosa! Redondinha na medida certa. Já podia até imaginar minhas mãos acariciando aquela região.
Será que ela é o que? Tenente, capitã...? Huum, parece que já vou descobrir, pois a moça vinha em nossa direção, com seus cabelos negros curtos balançando com o vento.

-Boa tarde, soldados. Hoje vocês terão aulas de luta corpo-a-corpo. Basicamente é isso, então a todos, bom treinamento. – o cara que parecia ser africano foi o primeiro a se pronunciar, sendo breve e conciso. Assim que terminou de falar, voltou pro jipe, deixando-nos sozinhos com a morena e sua mochila.

-Então, boa tarde a todos vocês. Nesse “conteúdo” eu lhes ensinarei todo o necessário a se defenderem e a lutarem corpo-a-corpo. Espero, então, que estejam preparados, pois o treinamento aqui comigo não será moleza – uiii, você pode me mostrar esse treinamento que não é moleza na cama comigo, não é gata? Pensei cacos meus botões, sua voz era linda e um tanto familiar... Mas vamos lindeza, tirei esse capacete que já está me irritando!

E como se Deus atendesse minhas preces, a morena retirou o capacete, revelando seu rosto belo e...

-COF COF COF – eu comecei a me engasgar com a própria saliva. PUTA QUE PARIU, ELA NÃO É ELA, ELE É ELE E PIOR...

-Algum problema, senhor Trümper? – era ele, o BILL! AAAAAAAAH EU NÃO ACREDITO QUE PENSEI TUDO ISSO E ERA ELE. ECA!

-COF COF...E-eu COF só me engasguei aqui. – puta merda quase fiquei sem ar. ARGH EU MATO ESSE VIADO! Não acredito que achei ele gostoso!!!

-Eu posso saber com o que? – perguntou-me desconfiado.

-Ahn... com a bala que eu chupava – sorri sem graça. Olha o que esse desgraçado fez, agora todo mundo estava olhando pra mim e os filhos da puta do Georg e do Gustav segurando a risada! Vadios!

-Bom, sem mais delongas, vamos começar a aula. Hoje, por ser a primeira aula física de alguns soldados, vamos começar do básico. Gostaria de alguém para ajudar-me com a demonstração dos exercícios. Que tal você, senhor Trümper? – sorri sarcástico. Então aquele poste afeminado quer me mostrar como se luta? HAHA Essa eu pago pra ver.

-Claro, senhor – me aproximei e parei na sua frente.

-Bom, vamos começar com o básico mesmo. Primeiro, uma coisa que todos vocês tem que ter claro na cabeça, isso aqui não é aula de artes marciais, então quanto menos contato que vocês tiverem com o oponente melhor, afinal, somos militares e não lutadores profissionais. Então, vamos ao primeiro ponto importante: a defesa. – ele falava e falava e eu não conseguia parar de olhar debochado para ele. Ainda não entra na minha cabeça como esse sujeito é General.

-Então... o que eu faço? – perguntei já impaciente, aquela enrolação toda já estava me enchendo.

-Espere mais um pouco, senhor Impaciência. Como eu estava dizendo, a defesa é muito importante. Primeiro, faça a chamada “base”. Abra suas pernas no rumo de seu quadril, deixando uma a frente e as semi flexionando, assim, se alguém tentar te dar um rasteira, você não cairá. Agora, a demonstração. Vamos, Trümper, faça o que lhe ensinei.

Abri minhas pernas e as flexionei, do jeitinho que eu sempre fazia quando brigava e sempre dava certo. Não vou mudar agora só porque esse frangote disse. Bill, então, veio em minha direção, dando-me uma rasteira incrivelmente rápida, tanto que quase nem vi ele se movimentar, apenas senti o baque de minhas costas no chão.

-Estão vendo o que acontece quando não fazem a base direito? – disse ele com um sorriso debochado de vitória no rosto – Vocês caem. E é nessa hora que o seu oponente te mata.

Olhei para aqueles dois paspalhos e os vi segurando o riso novamente. Ah eu ainda mato esses idiotas. Levantei-me rapidamente, evitando assim mais risinhos toscos.

-Faça como eu mandei, Trümper. – desta vez fiz exatamente como o capitão bicha falou e quando ele veio pra cima de mim novamente eu não caí. – Viram a diferença? – todos responderam um uníssono “Sim, senhor” – Agora, a segunda coisa importante: mantenha sempre os punhos fechados um pouco abaixo da altura dos olhos, mas nunca muito perto nem muito longe do rosto.

-Mas por quê?

-Feche os punhos e os aproxime do seu rosto que eu irei lhe mostrar. – fiz conforme ele havia mandado e novamente, com uma velocidade impressionante, Bill bateu em meus punhos, fazendo com que estes se chocassem com meu rosto, fazendo-me sentir dor, devido a força aplicada no movimento.

-AI!

-Viram? Não se colocam os punhos perto do rosto por isso.

-MAS SE VOCÊ SABIA DISSO POR QUE ME FEZ COLOCÁ-LOS ASSIM, CACETE?

-CALA A BOCA, TRÜMPER. NUNCA RESPONDA SEU SUPERIOR.

-MAS...

-NADA DE MAIS, 100 FLEXÕES!

-O QUÊ? EU NÃO VOU...

-DUZENTAS, AGORA! – Bill deu-me outra rasteira e eu caí no chão com tudo – ANDA, COMEÇA LOGO SEU MERDA! ESTÁ ESPERANDO O QUÊ? EU AUMENTAR A QUANTIDADE?

Achei melhor ficar calado e comecei a fazer as flexões. Enquanto isso, todos treinavam os movimentos que a bichinha passara e de longe pude ouvir os risinhos abafados dos meus queridos colegas de quarto. É como se diz o ditado, pimenta nos olhos dos outros é refresco. E Georg e Gustav seguiam a risca esse conceito.
Quando cheguei na 102º reflexão, meus braços começaram a doer e meu corpo a fraquejar.

-VAMOS, TRÜMPER, TÁ ACHANDO QUE AQUI É O QUE? ACAMPAMENTO DE FÉRIAS? BOTA ESSES BRAÇOS  PRA TRABALHAR! SE NÃO CHEGAR A DUZENTOS EU AUMENTO PRA TREZENTOS! VAMOS, VAMOS QUE EU NÃO TENHO O DIA TODO, SEU MERDA!

-Sim, senhor – MERDA, ODEIO ser submisso. Ainda mais para um idiota desses. Quem ele pensar que é pra falar comigo assim? Seu superior, sua besta... ah é. Saco. Depois de muito custo, terminei as reflexões. Eu mal me levantei e aquela bicha já meio falar no meu ouvido.

-Agora 20 polichinelos. – falou calmamente.

-O QUÊ? NÃO VOU FAZER ISSO!

-JÁ TE FALEI PARA NÃO ME RESPONDER! 50 POLICHENELOS, AGORA!

MERDA, MERDA, MERDA! EU E MINHA BOCA GRANDE!! ARGH! Quase morrendo, fiz aqueles malditos polichinelos. Assim que terminei, tive que fazer dupla com o Georg pra treinar minha defesa.

E como se ainda não bastasse toda a humilhação que passei em uma tarde, ainda fui mais humilhado pelo Gezão, que já tinha mais prática nesses combates, mas eu também tava quase morto de cansaço, não valeu! Fiquei indignado com isso. E toda, mas TODA vez que eu falhava ou errava algo, Bill fazia questão de me corrigir na frente de todos.

Realmente, um péssimo jeito de começar o primeiro dia nesse inferno...

Batalhão 179 - capítulo 2

Batalhão 179

Capítulo 2

Tom’s POV


Nossa, acordei segunda-feira com uma dor de cabeça infernal. Quase não dormi, fiquei me revirando na cama até as três da manhã e quando finalmente dormi, tive pesadelos. Ótimo jeito de começar a minha tortura. Enfim, reclamar não vai adiantar nada agora que a merda está feita, então levantei-me e fui ao meu guarda-roupa, pegar aquele uniforme tradicional do Exército. Em seguida, peguei uma cueca e me dirigi ao banheiro. Afinal, ninguém merece começar o dia fedido, né? Pelo menos eu cause uma boa impressão nas garotas de lá... Isso Tom, sonha mesmo, capaz que quando você chegar lá só vai ter aqueles trubufus marombados que mais parecem homens do que mulher...

Tomei um banho na água quente, uma delícia. Me sequei e me vesti... Sabe até que não ficou assim tão ruim. Tanto a calça quanto a camisa ficaram um pouco justas, realçando meus músculos não tão definidos, mas mesmo assim chamativos. O coturno, apesar de não fazer meu estilo, ficou bem legal também. Só o que estragou foi o meu cabelo. Merda, porque aqueles filhos da mãe do Exército exigem cabelo curto? Meus dreads nem me atrapalhavam, poxa! Eu tô falando que isso vai ser um cú... ai Jesus, será que ainda dá tempo do Senhor me perdoar? Ahhh e tem o cape, desse sim eu gostei.

-Toom, o café já está servido!

-Já estou indo, Sophie, obrigado! – terminei de arrumar meu “cabelo” – que eu carinhosamente apelidei de “cotoco” – e desci rapidamente para comer.

O café se passou rapidamente e logo eu estava no carro de minha mãe seguindo ao quartel – sim, ela fez questão de me levar. Às vezes tenho a plena certeza que minha mãe adora me ver sofrer –. A viagem foi silenciosa até chegarmos ao “inferno”. Mas eu tenho que admitir, pelo menos a frente era linda, o lugar era bem moderno, não aquela coisa do meu avô no tempo de Hitler, tinha um gramado verdinho imenso, com algumas flores aqui ou ali, o prédio era pintado em tons de azul claro, com listras vermelhas e azuis, com duas colunas centrais (bem ao lado da entrada) também pintada dessa maneira. Era bem maneiro até. Gostei, quem sabe as coisas não possam ser tão ruins como parecem?


-Puta que pariu, esse lugar é enorme – Só a frente do Quartel devia ocupar um pouco mais de um quarteirão.

-Pois é, filho. Então, boa sorte aí no Exército e sempre que der, venha nos visitar. Estaremos te esperando nas férias – Jennifer me deu um beijo no rosto seguido de um abraço. Eu retribui o abraço e também dei um beijinho em sua bochecha. Mesmo tendo minhas desavenças com a minha mãe, eu gosto dela. Vai ser estranho sem ela gritando comigo... (Mal sabia eu o que eu ia descobrir mais pra frente).

-Pode deixar, mãe. Sentirei saudades.

-Nós também, amor. Vem, eu te acompanho. – assim que entramos, minha mãe falou com o cara da recepção (que por sinal também era gigante e muito bem organizada, de bom gosto) e ele nos indicou uma sala, na qual o General ia explicar tudo o que precisávamos saber. Agora minha mãe se despediu de fato e foi embora. Respirei fundo e entrei na sala que fora indicada. Esta não era tão grande, mas devia estar ali uns bons 20 caras sentados esperando o tal General aparecer.

Olhei no relógio e vi que ainda era 06h55. Se o tal General for realmente bom e pontual em cinco minutos ele tem que aparecer. Na sala, ouvia-se apenas conversas baixas e eu decidi sentar-me mais ao fundo. Assim que se passaram exatos cinco minutos, a porta foi aberta e todos se silenciaram. Entrou um rapaz alto, até que magro para alguém que é general em um dos melhores exércitos do mundo. Suas roupas justas, ainda que iguais às nossas, exceto pelo distintivo que indicava seu posto, acentuavam suas curvas até que femininas para um oficial, além de usar algumas correntes, tanto no pescoço como na calça e duas luvas pretas (daquelas que não cobrem o dedo inteiro). Seu rosto era jovem, não devia ter mais que 26 anos e o mais surpreendente: ele usava maquiagem. Isso mesmo, maquiagem. Seus olhos estavam bem marcados com a sombra e lápis preto, realçando o castanho chocolate de seus olhos. Sua pele branca estava perfeitamente lisa e sem nenhuma marca e sua boca carnuda – mas não demasiadamente – tinha um leve brilho. E como se não bastasse, ele ainda usa um moicano. Tudo bem que aquele visual lhe caía perfeitamente bem, dando-lhe um ar sedutor e autoritário ao mesmo tempo, mas meu, não sabia que alguém que trabalhava no Exército podia ter um cabelo assim e pô! Se ele tem esse cabelo porque eu tenho que cortar o meu? Talvez porque ele esteja em um dos postos mais altos e você não passe de um mísero soldado que acabou de entrar, né sua besta ¬¬

-Olá, novos soldados. Meu nome é Bill Kaulitz e eu sou o General de Exército, portanto o superior de todos vocês. Hoje o dia será mais uma apresentação do que um dia de atividades, para que vocês conheçam um pouco melhor toda a estrutura do quartel e que possam, posteriormente, se dirigirem aos locais adequados sem qualquer tipo de ajuda. Aqui, como vocês podem imaginar, temos muitas regras a serem seguidas, mas nada impossível. Primeiro: nada de bagunça. Disciplina e obediência em primeiro lugar. Se eu mandar vocês fazerem 300 reflexões, vocês farão, quem me desobedecer, aah vocês não queiram nem pensar em fazer isso, pois as conseqüências serão terríveis. Segundo: vocês terão aula toda manhã das 6h30 às 12h30, com 30 minutos de almoço e depois vocês irão praticar as atividades físicas. Vocês poderão escolher quais atividades irão praticar, dependendo do seguimento que você escolheu. Se for aeronáutica, será atividades referentes a isso, e assim por diante, mas tem que ser no mínimo 5 exercícios por dia. Terceiro: o toque de recolher é sempre às sete horas e como em qualquer coisa feita aqui, não desobedeçam a esse horário. Quarto: os dormitórios são para 3 soldados, então é bom que convivam bem entre si, porque não admitimos brigas ou qualquer coisa nesse sentido. Os nomes de vocês estão nessa lista aqui juntamente com o número do seu Batalhão e número da cabana. Alguma dúvida? – ele perguntou sério, entregando em seguida a tal lista.

-Eu tenho – levantei minha mão e todos me olharam. Alguns curiosos, outros com medo nos olhos. Ah qual é, não acredito que esses babacas estão assim só por causa desse tipo aí.

-Pois não, senhor...?

-Trümper – alguns fizeram cara de espanto ao ouvir meu nome. Isso, pirem com a minha presença, seus ralés – Aqui não são permitidas festas, correto?

-Correto.

-Teremos algum contato com as mulheres daqui? – perguntei novamente.

-Apenas nas atividades escolares. Mas não é permitido namoro aqui.

-Entendi. Já tiveram algum problema com soldados gays? – olhei para ele com uma cara de sarcasmo, já que vestido desse jeito se ele não for gay está quase lá. Bill fulminou-me com o olhar e se aproximou imponente.

-Não, senhor Trümper – falou meu sobrenome na mesma medida de sarcasmo – Nunca tivemos qualquer tipo de problema com homossexuais. Aqui não é permitido qualquer coisa que envolva duas pessoas num relacionamento amoroso, independentemente do sexo. Para todos os postos, se é isso que quer dizer. A pessoa que for pega em flagrante terá sérias punições, então acho melhor não brincarem com fogo, porque aqui vocês vão se queimar – ele sorriu perverso – Agora o 1ª Tenente Kevin Hoffmann irá mostrar-lhes todo o resto do quartel, incluindo áreas de treinamento, restaurante e acomodações. Só uma última coisa. Fiquem espertos que desde o momento em que pisaram nessa sala, estão sujeitos às nossas ordens, então não dêem motivos para punições desnecessárias. É só.

Então entrou um cara loiro baixinho, mas troncudo e forte, que se apresentou como o tal 1ª Tenente. Saímos em fila única, passando em seguida por uma porta de vidro que dava para um gramado gigantesco. Se eu achava a entrada enorme, porra, aqui devia ser umas 5 vezes maior. Nossa primeira parada foi a escola. Em tons pastéis e muito limpa, a escola era grande e em como naqueles filmes americanos, cada aluno tinha o seu armário. O meu era o de número 15, logo em frente ao banheiro feminino. Hehe até que fim algo bom nisso aqui... mas enfim, havia várias salas e cada professor era responsável por uma, havia também uma lanchonete grandona e obviamente, os banheiros.

Até que eu gostei, pensei que fosse pior. Depois foi ao refeitório, também muito grande e ajeitado. Só não entendo pra quê outro se tem a lanchonete da escola, mas enfim. Fomos então ver os locais de treinamento. Cara, essa foi a melhor parte. Tipo, eu já me interessava por armas (santo videogame!) mas ver os soldados aprendendo a manuseá-las foi muito show! Tinha uma parte, que o pessoal estava treinando com tanques de guerra, muito legal. Bom, talvez não seja assim tão ruim... Por último, fomos aos nossos dormitórios. O tal 1ª Tenente passou novamente a lista e eu me dirigi à cabana número 21, mas estranhamente, eu fui sozinho. O Bill disse que seríamos em 3 e até agora ninguém veio para o mesmo lugar que eu. Ah, vai ver eu vou ficar sozinho. Aah tomara!

Bati na porta e um cara moreno, um pouco mais baixo que eu atendeu.

-Hey cara, você deve ser o Tom Trümper, certo?

-Sim e você é...?

-Georg Listing, prazer.

-Prazer, Georg.

-Pode entrar – ele me deu passagem e eu entrei. O quarto era pintado de erva-doce, tinha uma beliche, uma cama de solteiro, um armário grande, uma cômoda e um banheiro. Era bem arrumado e eu gostei desse Georg. – Gustav, vem cá, meu. Não está vendo que temos um novo companheiro?

-Ah, cara, foi mal. Prazer, meu nome é Gustav Schäfer. – um cara loiro e bem “fortinho” desceu da cama e foi me cumprimentar.

-Prazer, eu sou Tom Trümper.
-Bom, você prefere dormir embaixo na beliche ou na de solteiro? – Georg me perguntou.

-Na beliche, pode ser?

-Claro. Ah e você pode guardar seus pertences aí no guarda-roupa. Não é grande suficiente para três pessoas, mas dá para o gasto.

-Ok, obrigado – dito isso, comecei a guardar minhas coisas. Realmente, o espaço não era muito. – Então é só esse banho para nós três?

-Sim. Tipo, pode até parecer que não dá certo, mas dá. Nós dois somos bem higiênicos e espero que você também seja – agora quem respondeu foi Gustav que também era bem simpático.

-Sou sim, acho isso o mínimo. Nossa, acho que dei sorte. Vocês são bem legais.

-Obrigado – os dois responderam juntos e Georg continuou:

-Você também é, Tom. Mas afinal, o que um Trümper está fazendo aqui no Exército? Achei que vocês fossem “homens de negócio”.

-A questão é que eu estava curtindo minha vida, mas meus pais acharam que eu tinha que tomar um rumo e acabar com aquela curtição e eu fui obrigado a vim para cá.

-Nossa que triste, hein.

-Nem me fale. Era festa todo final de semana, tinha uma mulher na minha cama toda noite que eu quisesse, era popular...

-Nossa, isso sim era vida – Gustav me olhou com um misto de admiração e pena.

-Pois é... era, Gustav, era e cá estou eu. Preso nesse lugar denominado exército.

-E o que você achou do General? – perguntou Georg com uma cara de riso.

-Uma tremenda bicha louca para sair daquele armário.

-HAHAHAHAHAHAHAHAHA

-HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

-Qual é a graça?

-HHAHAHA... Tom...HAHAHA ... aquela “tremenda bicha louca para sair daquele armário” é o cara mais terrível daqui.

-Como que aquele palito ambulante pode ser o mais terrível daqui?

-Ele, mesmo não parecendo, sabe torturar como ninguém. Mexa com ele que você é morto. Ele foi o único cara que aos 23 anos chegou a um posto tão alto assim. Eu tenho 21 e ainda sou soldado.

-Pois é, Tom, eu tenho 20 e também sou apenas um soldado. Rolam boatos que o Bill torturou psicologicamente um garoto de tal forma que ele chegou a enlouquecer.

-Credo. Não pode ser verdade, ele parece tão frágil e feminino.

-Aah só parece, meu filho. Se nos metêssemos em uma luta, ele contra nós três, Bill venceria facilmente. Você acha que ele chegou a ser General de Exército como?

-Sei lá, subornando?

-HAHAHA Claro que não. Você conheceu o 1ª Tenente Kevin, não foi?

-Sim, por quê?

-Porque o Kevin nos contou um dia, que um soldado brutamontes se meteu com Bill, na frente de todo o batalhão. Kevin disse que Bill deu uma surra no cara e quebrou 15 ossos do corpo dele.

-Aaah qual é, isso só pode ser mentira. Como aquele viadinho conseguiria fazer isso? Só em sonhos.

-Toom, eu to te falando cara, não se meta com o Bill. Ninguém até hoje foi páreo para ele. A chance de você se fuder é muito alta, man. Ele só parece ser um fracote, não mexa com ele, Tom. Te digo isso como amigo.

-Tá bom, tá bom. Eu só ainda não consegui me convencer disso.

-Olha Tom, o que o Georg diz é puramente verdade, cara. Ninguém aqui é de mentir. Até eu não acreditei quando ouvi pela primeira vez, mas depois que vi... Mudei totalmente meu pensamento.

-Tá certo então. Mas pra mim ele ainda é uma bichinha.

-Só espero que ele nunca te ouça falando isso.

-HAHA e ele ia fazer o quê? Tentar dar pra mim?

-HAHAHA ah não, Tom. Você é muito engraçado, cara, mas é bom tomar cuidado mesmo.
-Tudo bem, tudo bem. Ou, será que eu posso tomar um banho?

-Claro, as toalhas estão no banheiro.

-Tá, valeu. – entrei no banheiro e tomei meu banho calmamente.

Depois ficamos conversando até a hora do “jantar”. Meu, que porra de comida era aquela?? Até a comida do meu cachorro era melhor! Uma comida muito sem tempero, chegando até ser nojenta aquela gororoba.  Que falta me fazia a Sophie! Quando deu sete horas nós voltamos para nossos quartos e ainda ficamos batendo papo por um bom tempo. Por fim fui dormir na cama de baixo da beliche. Era um pouco dura, mas suportável e assim adormeci, pensando na “macheza” do meu general bicha.